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Diploma de curso à distância vale mais

O certificado de cursos ou programas a distância passará a ter o mesmo valor dos cursos presenciais. Para isso, o Ministério da Educação enviou à Casa Civil da Presidência da República um projeto de decreto que regulamenta a oferta da educação a distância no país. A medida foi anunciada nesta terça-feira, dia 30, em Brasília, pelo titular da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), Ronaldo Mota.

O secretário salientou que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) — nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 — já apontava para a igualdade entre os certificados dos cursos semipresenciais e presenciais. O decreto, segundo ele, vem justamente “contemplar essa demanda com mais objetividade”.

O dispositivo regulamenta a oferta de cursos ou programas a distância para a educação básica de jovens e adultos, para a educação profissional de nível médio e para o ensino superior. A elaboração do texto foi precedida de ampla discussão com os conselhos estaduais de educação. Mota lembrou que, de modo geral, a regulamentação permitirá o desenvolvimento sistêmico da educação a distância.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, espera que a modalidade a distância leve a educação superior a regiões ainda inacessíveis, o que ajudará no desenvolvimento do país. “A Seed tem uma atuação transversal. Trabalha desde a educação básica até o ensino superior”, disse.

A regulamentação de que trata o decreto é aplicável às instituições de ensino públicas e privadas. Os cursos e programas oferecidos devem estar em consonância com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo MEC.

O evento, que lotou as dependências do auditório do MEC, serviu para o lançamento do Guia de Programas da TV Escola, que contém mais de 5,5 mil programas, com sinopse, ficha técnica e sugestões de atividades. O livro é uma coletânea dos boletins sobre tecnologias apresentadas nos últimos três anos no programa Salto para o Futuro, que tem a proposta de formação continuada de professores do ensino fundamental e médio. Também foi exibido um vídeo institucional da série Letra Viva, realizada em parceria com a TV PUC de São Paulo.

Na oportunidade, foi assinado ainda um acordo de cooperação técnica com a TV Cultura, que visa à produção das séries Nossa Língua Portuguesa e Sua Língua.

MEC
30/08/2005

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Diplomas na rede

Com o suporte da internet, educação a distância ganha fôlego para atender demanda reprimida por vagas de ensino superior no país. Educadores ensinam a escolher o curso e garantir a qualidade das aulas.

Paulo dorme às nove da noite com os filhos e pula da cama às três da madrugada para aproveitar o horário de pulso único e entrar na internet discada. Jorlene vai de banda larga numa lanchonete que oferece a comodidade aos clientes que consomem mais de R$1. Elizabeth usa nas horas vagas o computador de uma vizinha ou o laboratório de informática da escola municipal onde trabalha como merendeira. Em comum, eles têm o leme da navegação: rumo à conclusão do curso universitário via educação a distância. Não fosse pela ajuda virtual, continuariam apenas com a formação de nível médio, adiando o sonho da graduação superior por imposição da carga excessiva de trabalho, a falta de dinheiro e as dificuldades de locomoção. Segundo estatísticas do Ministério da Educação e Cultura (MEC), apenas cerca de 10% dos cidadãos de 18 a 24 anos têm acesso à educação universitária no Brasil, enquanto na Argentina são 40%, na Venezuela 26% e no Chile e na Bolívia 20,6%. Um panorama que pode começar a mudar com a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB).

— O ensino superior no país tem uma forte demanda reprimida, e acho que a única forma de resolver isso, ou ao menos a forma mais inteligente, é por meio da educação a distância — diz o professor Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e coordenador científico da Escola do Futuro, da USP. — O governo iniciou um plano bonito com o lançamento da UAB, mas espero que o modelo inclua um corpo docente independente, para não repetir choques e ciumeiras que hoje existem entre departamentos nas universidades federais.

Candidatos devem escolher bem o curso e a instituição

Pois o modelo brasileiro não será tão independente quanto a pioneira Open University do Reino Unido, estruturada há 30 anos totalmente à parte das centenárias universidades britânicas. Segundo o secretário nacional de Educação a Distância do MEC, Ronaldo Mota, ela usará a experiência acumulada pelas universidades federais e pelos centros federais de educação tecnológica. O edital foi lançado e até 13 de abril os 5.561 municípios do país deverão responder se querem participar e de que maneira. Os municípios terão que montar pólos com laboratórios e salas de informática e o MEC financiará a estruturação dos cursos e o pagamento dos tutores. Enquanto isso, um projeto piloto da UAB já está em funcionamento com graduação em administração e algumas universidades estaduais e faculdades particulares já oferecem cursos on line. Aos candidatos a esta modalidade de ensino, resta escolher bem o curso e a instituição, para não cair em armadilhas. Isto, é claro, além de aprender a tirar o melhor proveito do estudo a distância.

ONDE ENCONTRAR CURSOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Brasil: A melhor fonte no país é o site da Associação Brasileira de Educação a Distância(Abed): http://www.abed.org.br, que oferece um catálogo atualizado de cerca de 400 cursos de todos os tipos, abertos ao público em geral. O site http://portal.mec.gov.br/seed/, da Secretaria de Educação a Distância, do MEC, também traz informações e links sobre instituições credenciadas. Para cursos aqui e no exterior, algumas instituições tem pré-requisitos, inclusive cobranças presenciais. Mestrado e doutorado no exterior exigem revalidação do diploma no Brasil. Nesse caso é bom consultar o site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes: http://www.capes.gov.br.

Reino Unido: A Open University (http://www.open.ac.uk), a pioneira universidade aberta do Reino Unido, cita mais de 20 mil cursos de educação a distância mundo afora. O Imperial College, em Londres, (http://www.imperial.ac.uk/distancelearning) também oferece cursos de pós-graduação a distância.

Espanha: A Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED), site http://www.uned.es, é uma das mais antigas da Europa.

Estados Unidos: Informações sobre cursos on line em diversos centros americanos podem ser obtidas no endereço http://www.petersons.com/distancelearning. O Massachusetts Institute of Technology(MIT), no site http://web.mit.edu, é um deles. Mas o MIT vai além: com o OpenCourseWare(OCW) abriu gratuitamente para usuários de todo o mundo materiais de seus cursos de graduação e pós-graduação. Mas nessa opção não proporciona o contato direto com os professores.


Paulo José de Oliveira de Lima, de 33 anos, passou em primeiro lugar quando fez vestibular para o curso a distância de pedagogia para séries iniciais,oferecido pela UERJ via consórcio CEDERJ. Agora cursa o sexto e último período. Paulo não é um neófito em educação a distância: o próprio curso de formação de professores ele concluiu assim, pela Fundação Brasileira de Educação, estudando em material impresso e fazendo provas presenciais. Na época Paulo já tinha o curso médio,era inspetor numa escola e quis se tornar professor. Agora é um professor muito melhor.

- Acredito que a educação à distância dá ao formando o que se espera dele no futuro: autonomia, independência para pesquisar, capacidade de olhar à frente. No decorrer do curso eu aprendi a ser o senhor do meu próprio estudo – diz Paulo, que optou pelo horário da madrugada para navegar pelo conhecimento. – Além de ser mais barato nessa hora usar a internet discada, eu dou atenção aos meus filhos quando chego do trabalho, durmo com eles e acordo às 3h para estudar.

Cada um cria seu jeito de acessar a internet para estudar

Elizabeth Correia de Souza, de 46 anos, é outra que aproveita a educação on line para completar sua formação. Ela trabalha como merendeira numa escola municipal e sonha mudar de área depois da conclusão do curso superior. Elizabeth costuma estudar usando o computador de uma vizinha ou o da própria escola onde trabalha, nos momentos em que ele está ocioso. Jorlene Moreira Tavares, de 34 anos, colega de Elizabeth no curso de pedagogia e moradora de Realengo, navega pela internet no laboratório de informática das Faculdades Simonsen (que abre essa facilidade à comunidade) ou mesmo numa filial do McDonalds, que franqueia 15minutos no computador para quem gasta mais de R$ 1 na casa.

- Compro uma água e estudo um pouco. Como não dá para ficar comprando uma água a cada 15 minutos, pego notinhas de outras pessoas para poder continuar estudando – conta Jorlene.

Computador em casa não é problema para Jean Philippe da Silveira Bilger, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio no Liceu Molière e é um dos 2 mil inscritos no pré-vestibular a distância da Eschola.com (http://www.eschola.com.br), empresa especializada em educação via internet. Candidato a uma vaga num curso de economia, o problema dele é tempo para freqüentar cursinho convencional. E achou na internet a saída para não levar bomba no concurso: comprou um pacote de aulas e estuda as disciplinas de seu interesse sem sair de casa.

- A vantagem é que posso me programar para estudar a qualquer hora, até de madrugada. Mas é preciso ter disciplina e motivação. Estava viajando e há alguns dias não ligo o computador. Aí acumula muita coisa – conta.

Essa modalidade, o e-learning, apresenta falhas. Uma delas é que se o aluno tiver alguma dúvida durante um exercício, não poderá contar com o professor do outro lado da tela 24 horas. A saída é enviar a pergunta e esperar a resposta, que pode demorar mais de um dia para chegar. Paulo Barreira Milet, um dos sócios da Eschola, reconhece que isso é um obstáculo à aprendizagem.

- Não temos como dar respostas on line. Hoje nossa média é de 24 horas e estamos tentando reduzir esse tempo – explica o empresário, para quem a vantagem da educação a distância é que ela permite a pessoas de todas as idades, em qualquer lugar e de diferentes classes sociais, seguir ou retomar os estudos interrompidos por algum motivo. – Cada um estuda no próprio ritmo e as matérias não se limitam ao conteúdo disponível, o aluno dispõe de recurso como o e-mail, textos e imagens digitalizadas, sala de bate-papo, links para fontes externas de informações etc.

Segundo dados do anuário de 2005 da Associação Brasileira de Educação à Distância, o Brasil tem 309.957 alunos matriculados em cursos de educação a distância credenciados oficialmente pelo MEC (entre graduação, seqüenciais e especialização). Somente na graduação, de acordo com dados do Instituto nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) em 2004 havia 59.611 alunos matriculados. O que é bastante para um começo, mas não é muito em comparação com os 4.163.733 matriculados em cursos superiores presenciais em todo o país.

COMO ESCOLHER UM CURSO

Decisão

  • O primeiro passo é se informar um pouco sobre educação a distância por dois motivos: primeiro, para descartar a falsa idéia de que “é uma moleza”; segundo, para saber se você se adaptaria bem à metodologia, que exige do aluno mais autonomia (não depender tanto da presença física do professor), empreendedorismo e buscar as informações complementares às aulas e disciplina para usar bem o tempo disponível.


  • Credenciados
  • No Brasil, o decreto presidencial n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005, regulamenta a educação a distância. Se você está em busca de um curso de graduação universitária, deve checar a lista dos cursos credenciados pelo Ministério da Educação (veja a lista de cursos credenciados – de graduação, especialização e seqüenciais – em http://portal.mec.gov.br). Para esses e outros cursos, leve também em conta a reputação da instituição e busque recomendação de pessoas idôneas que já fizeram os cursos.


  • Pólos presenciais
  • É importante verificar quais os recursos tecnológicos oferecidos pela instituição, se conta com pólos presenciais e como faz a avaliação (se tem exames presenciais). Os diplomas e certificados de cursos e programas a distância devem ser expedidos por instituições credenciadas e registradas.


  • Jornal O Globo
    Por Antônio Marinho e Tania Neves. Arte de Cláudio Duarte

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    Educação à distância exige disciplina

    Na graduação não-presencial, é o próprio aluno quem organiza seus estudos

    Alexandre Nobeschi / Simone Harnik da Reportagem Local

    A disciplina é a característica fundamental para quem decide cursar uma graduação a distância. Sem ela é quase improvável que o aluno conclua o ensino superior. "Educação a distância não é para todo mundo", alerta Fredric Michael Litto, presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância). "É para quem têm autonomia de vôo, disciplina. Pessoas que sabem dosar suas horas de estudo." Modalidade que ainda "é pouco desenvolvida", segundo Litto, atualmente possui 97.729 alunos, distribuídos em 53 instituições de ensino superior credenciadas pelo Ministério da Educação. Dados da Abed mostram que, no Brasil, 3 milhões de pessoas participam de programas de educação a distância (EAD) -do ensino básico de jovens e adultos até a pós-graduação. O panorama da EAD mostra ainda que metade dos cursos oferecidos no país é de pedagogia, segundo dados do ministério.

    Jorgina Medeiros Rezende de Souza, 46, foi uma das que procuraram a graduação. Diretora de uma escola de ensino fundamental em Realengo (zona oeste do Rio de Janeiro), ela optou por fazer um curso a distância por causa da falta de tempo para freqüentar uma universidade. "O curso caiu do céu. Precisava de uma formação superior porque sou diretora de escola, mas não tinha tempo para cursar uma faculdade", diz Jorgina, que está no quinto semestre do curso de pedagogia a distância da Uerj. Segundo ela, o fato de o curso ser a distância não implica que o conteúdo seja diferenciado do presencial. "É ilusão achar que o curso é tranqüilo. A gente precisa de muita motivação, muita disciplina, porque você faz o seu ritmo. Às vezes, é preciso entrar madrugada adentro para poder acompanhar as disciplinas", afirma. De acordo com Litto, o exemplo de Jorgina é o mais comum entre os alunos de educação a distância. "Geralmente, os estudantes de EAD são mais velhos.

    Quanto mais idade, mais maduro e mais chances de ele terminar a graduação", diz o presidente da Abed.

    Como funciona - Após aprovação no processo seletivo -sim, há o exame e ele segue os moldes do vestibular para os cursos presenciais da instituição-, o aluno recebe explicações de como é o curso e orientações de hábitos de estudo. É comum cada disciplina ter um guia com a divisão das aulas, das avaliações a distância e as presenciais. Segundo Litto, pode ser usado tanto o material didático impresso pela universidade e enviado ao estudante quanto o conteúdo repassado pela internet. "O aluno vai estudando o material didático e tem à disposição tutores a distância de cada disciplina que ele pode acessar por telefone, fax, correio, e-mail", explica Eloiza Gomes de Oliveira, coordenadora do curso de pedagogia a distância da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

    Embora o universitário conte com a facilidade de organizar os estudos da maneira que achar mais conveniente, ele deverá comparecer à universidade para fazer as avaliações de cada disciplina, conforme prevê o decreto que regulamenta a EAD. De acordo com o secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, o universitário terá de fazer, obrigatoriamente, uma prova presencial. "O aluno pode ter avaliações a distância. No entanto, mais de 50% do peso da nota final tem de ser de uma avaliação presencial."

    Complemento - Na opinião de Eloiza, a educação a distância não irá substituir os cursos presenciais. "Não tenho certeza se todos os cursos podem ser ministrados a distância. Acho que, dependendo do curso, talvez o percentual de presença varie." Para Mota, não há um conflito entre curso não-presencial e presencial. "Há um conflito entre uma educação tradicional que não incorpora novas tecnologias e uma modalidade flexível que sabe fazer isso, sem abrir mão da importância fundamental do professor", afirma o secretário.

    Folha de São Paulo
    13/09/2005


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    E-learning: O ensino no novo milênio

    Dailton Felipini

    Imagine que você seja o responsável pelo setor de treinamento em uma grande empresa e, numa bela e ensolarada tarde de sexta-feira, o seu chefe lhe apareça a porta, com um singelo pedido: “Estamos lançando um novo produto no mercado e temos que treinar todos os nossos vendedores sobre as características, performance, atributos e utilização desse novo produto no prazo de dez dias”. Para tornar a coisa mais divertida, sua empresa tem alguns milhares de vendedores dispersos por todo o território nacional, desde Manaus até Porto Alegre, sendo que a sede da empresa é logo ali na Praia do Botafogo, no Rio de Janeiro; o seu orçamento para viagens e despesas com instrutores “está no osso” e, além disso; o pessoal de Finanças acha um absurdo interromper o fluxo de receita proveniente das vendas só para os vendedores assistirem cursos no Rio.

    Guardadas as proporções, este é um desafio relativamente comum para as empresas em um mercado globalizado, competitivo e em constante mutação: agregar conhecimento aos funcionários de forma extremamente rápida, eficiente e de baixo custo. É ai que entra o e-learning, o uso da Internet na propagação de conhecimento.

    O que é e-learning

    Tecnicamente, o e-learning é o ensino realizado através de meios eletrônicos. É basicamente um sistema hospedado no servidor da empresa que vai transmitir, através da Internet ou Intranet, informações e instruções aos alunos visando agregar conhecimento especifico. O sistema pode substituir total ou parcialmente, o que é mais comum, o instrutor, na condução do processo de ensino. No e-learning, as etapas de ensino são pré-programadas, divididas em módulos e são utilizados diversos recursos como o e-mail, textos e imagens digitalizadas, sala de bate-papo, links para fontes externas de informações, vídeos e teleconferências, entre outras. O treinamento com o e-learning pode ser montado pela própria empresa ou por qualquer dos fornecedores desse tipo de solução já existentes no
    mercado.

    Vantagens do e-learning.

    Quais as vantagens! A primeira vantagem do e-learning, e que serviu como exemplo no inicio desse artigo, é o rompimento de barreiras geográficas e temporais. Com o e-learning, um curso sobre um novo produto, por exemplo, pode ser feito de qualquer local do planeta a qualquer momento, bastando para isso o acesso a Internet e uma senha. Enquanto, espera ser atendido pelo comprador, o seu vendedor pode puxar o lap-top e ler o texto sugerido no curso; em casa, enquanto seu companheiro(a) perde tempo assistindo Big Brother, o vendedor pode fazer os exercícios propostos pelo instrutor. Em síntese, o e-learning possibilita ao aluno gerenciar o seu próprio tempo disponível, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo curso, e sem perder tempo com deslocamentos.

    Outra vantagem do e-learning está relacionada a reprodução do conteúdo. Uma vez montado o curso para um aluno, a sua reprodução para dois, centenas, ou milhares de alunos pode ser feita a um custo marginal insignificante. Com um curso tradicional, o máximo que se consegue é montar turmas de alunos, até se completar todo o universo que se pretenda atingir numa escala crescente de custos, energia e tempo dispendido. Evidentemente, isso sugere que, para poucos alunos, talvez um treinamento convencional seja a solução mais adequada que o e-learning. Por outro lado, pensando em termos de políticas públicas de ensino, onde o universo se mede não em milhares, mas em milhões de candidatos à instrução, é possível que o e-learning, venha a representar uma verdadeira revolução na geração de conhecimento.

    É importante ressaltar, que o e-learning não veio para substituir o ensino tradicional, da mesma forma que a Internet, não substitui a TV que, por sua vez, não fez desaparecer o rádio. O e-learning é uma nova ferramenta potencializada pela Internet e perfeitamente ajustada às características de nosso tempo, marcado pela agilidade, velocidade e gigantescos volumes de informação a serem digeridos. No que se refere às empresas, o objetivo não deve ser simplesmente substituir a forma de ensino tradicional pelo e-learning, mas sim, utilizar essa ferramenta na medida adequada às suas necessidades. De tal forma que os objetivos da organização sejam plenamente atingidos.

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    Internet facilita educação à longa distância

    Cada vez mais comum, uso de aulas on-line leva professor da Índia a lecionar nos EUA sem sair de seu país Saritha Ray "The New York Times"

    Alguns minutos antes das 7h de uma manhã recente, Greeshma Salin girou sua cadeira, encarou o computador, colocou os fones de ouvido e microfone e disse, em inglês com leve sotaque: "Alô, Daniela". Segundos mais tarde, ouviu a resposta: "Alô, Greeshma". As duas começaram a conversar animadamente, até que Salin disse: "Vamos trabalhar com os pronomes, hoje". A seguir, digitou: "Daniela acredita que Daniela deveria dar Scarlet, o cavalo de Daniela, para a irmã de Daniela". "A sentença lhe parece desajeitada?", perguntou. "O que você faria para melhorá-la?" Não há nada de incomum nesse diálogo, se não levarmos em conta que Salin, 22, está em Cochin, na costa sul da Índia, e sua aluna, Daniela Marinaro, 13, está em casa, em Malibu, Califórnia. Salin é parte da nova leva de trabalhadores indianos terceirizados: os professores particulares para alunos norte-americanos. Duas vezes por semana, já há um mês, Salin, que cresceu usando o idioma malayalam, um dos muitos idiomas indianos, está ensinando gramática inglesa, redação e compreensão de texto a Daniela.

    Usando uma lousa simulada em seus computadores, conectados pela internet, e uma cópia do manual empregado por Daniela, ela orienta a adolescente quanto às complexas regras dos substantivos, adjetivos e verbos. Daniela, aluna de oitava série na Malibu Middle School, disse que tira "C em inglês" e quer "tirar A", e acrescentou que nunca havia pensado muito sobre o fato de que sua professora estava a 30 mil quilômetros de distância, ainda que no começo a situação lhe parecesse "um pouco estranha". Ela e sua irmã, Serena, 10, aluna de quarta série na Malibu Elementary, são apenas duas dos 350 norte-americanos matriculados no Growing Stars, um serviço de aulas particulares on-line sediado em Fremont, Califórnia, mas que tem todos os seus 38 professores instalados em Cochin. O serviço oferece aulas particulares de matemática e de ciências e recentemente acrescentou um curso de inglês, para estudantes da terceira à 12ª série.

    Cinco dias por semana, às 4h30, horário de Cochin, os professores se conectam, no momento em que seus alunos norte-americanos abrem os livros para sua lição de casa, no começo da noite. A Growing Stars é uma das pelo menos meia dúzia de empresas, em toda a Índia, que estão ajudando as crianças dos Estados Unidos com suas tarefas de casa e estudos.

    Como em outros setores terceirizados, o fator que estimula as "lições de casa terceirizadas", como a prática se tornou conhecida, é o custo. Empresas como a Growing Stars e a Career Launcher Índia, de Nova Delhi, cobram US$ 20 por hora de um aluno norte-americano que precise de aulas particulares, ante os US$ 50 ou mais que um professor particular norte-americano cobraria.

    A Growing Stars paga um salário mensal de 10 mil rúpias (cerca de US$ 230, ou R$ 531) aos seus professores, duas vezes o que eles ganhariam como recém-contratados em uma escola local. Os críticos expressaram preocupação quanto à qualidade dessas aulas oferecidas. "Aulas particulares on-line não são fiscalizadas ou monitoradas de perto; há poucos padrões de referência setoriais", disse Rob Weil, diretor-assistente do departamento de questões educacionais da Federação Norte-Americana de Professores. "A qualidade se torna uma questão mais difícil no caso das aulas particulares dadas por estrangeiros, porque a monitoração é mais difícil", disse Boria Sax, diretor de pesquisa, desenvolvimento e treinamento on-line no Mercy College, de Dobbs Ferry, Nova York. A Growing Stars está se expandindo rapidamente para acomodar estudantes da costa leste norte-americana, Canadá, Reino Unido e Austrália.

    Seus professores, a maioria portadores de diplomas de pós-graduação em pedagogia, têm profundo conhecimento dos temas. Passam por duas semanas de treinamento técnico, cultural e de sotaque, que inclui familiarização com as diferenças entre o inglês britânico, amplamente usado na Índia, e o norte-americano. "Eles aprendem a usar "eraser" [apagador], em lugar do equivalente indiano, "rubber" [borracha], e a compreender que "preciso tirar água do joelho" quer dizer que a pessoa precisa ir ao banheiro", disse Saji Philip, empresário de software de origem indiana, presidente do conselho e co-fundador da empresa, que trabalha em Nova Jersey. Ainda assim, a disparidade cultural é real. Em Cochin, Leela Bai Nair, 48, ex-professora com 23 anos de experiência e treinadora dos professores da Growing Stars, disse que ficou "chocada quando alunos norte-americanos de 10 anos me chamaram de Leela. Em toda a minha carreira como professora na Índia, os
    alunos me chamavam de "senhora'", diz.

    Folha de São Paulo
    11/09/2005

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