DicasTerceira idade

Carreiras com prazo de validade mais longo

Profissionais dos setores de serviços, consultoria e docência tiram partido de competências que melhoram com a idade.

Nem todas as profissões têm prazo de validade curto. Para muitas atividades, a maturidade parece até trazer vantagens. Segundo consultores de recursos humanos, o setor de serviços – que tira partido de competências profissionais que só fazem melhorar com a idade – é o que mais absorve mão-de-obra de trabalhadores com mais de 45 anos.

Entre as competências apontadas como as que se aperfeiçoam com a idade estão maior flexibilidade para se relacionar com as pessoas e para negociar, além de maior facilidade para planejar.

- Com a experiência, o profissional ganha uma visão mais estratégica. Por isso, a atual tendência das empresas é montar equipes com variedade de idades, procurando unir a criatividade do jovem à ponderação do maduro – destaca Aguinaldo Néri, diretor da empresa de RH que leva seu nome, especializada em profissionais seniores.

Em hotelaria, profissionais que garantam hospitalidade.

Dentro deste setor, acrescenta Néri, as possibilidades são inúmeras. O mercado de hotelaria, por exemplo, é um dos que valoriza profissionais mais maduros:

- Quando chegamos num hotel, queremos nos sentir em casa. E as pessoas mais maduras transmitem mais hospitalidade que os jovens, ainda que inconscientemente o hóspede fica mais à vontade. Não estamos falando de idosos e sim de pessoas de 45 a 65 anos.

-E o caso de Cleber Soares, de 47 anos, chefe da recepção do Hotel Best Western Rio Copa. Seu currículo, diz ele, é mais valorizado a cada dia:

- Estou há 20 anos no setor de hotelaria. Com a experiência de lidar com o hóspede, passamos a saber exatamente até que tipo de apartamento cada um deles prefere. OS mais jovens nem sempre têm essa mesma percepção.

Na área de vendas, muitas empresas se preocupam em ter em suas equipes profissionais mais maduros. Como a Natura, empregadora há 20 anos de Lourdes Rebelo, de 64 anos. Lourdes coleciona quase 20 troféus por cada ano em que esteve no ranking dos dez melhores consultores:

- Hoje tenho mais de 200 clientes de todas as idades. A gente aprende a não empurrar qualquer coisa para o cliente e sim a entender o que ele precisa. E, assim, ele vai querer comprar novamente.

As horas de vôo também só valorizam a profissão de piloto de avião, destaca o comandante Mário Moreira, presidente da Team, companhia aérea que faz vôos executivos regionais:

- O passar do tempo nos faz ter mais segurança para lidar com situações adversas. Acabamos de contratar um piloto de 53 anos.

A consultoria é o caminho mais natural para profissionais com formação superior. Esses profissionais têm a vantagem de poder trabalhar para diversas companhias, sem compromisso com uma organização específica.

- Atuando como consultor, o profissional pode compartilhar com os clientes situações que já viveu e solucionou. Mas, nesta atividade, a experiência é essencial – destaca Marina Vergili, vice-presidente da Fesa Global Recruiters, empresa de seleção de executivos.

Silvina Tamal, mestre em administração de empresas e diretora da ID-Projetos Educacionais, lembra que a pequena empresa é uma opção interessante para esses profissionais:

- A pequena empresa está ávida por conhecimento especializado. Se as pessoas mais velhas estiverem dispostas a ganhar um pouco menos do que se paga nas grandes empresas, poderão ganhar um ambiente agradável, em que seu conhecimento será valorizado.

Engenheiros seniores: time em escritório de advocacia.

Engenheiro químico com experiência em grandes companhias, há três anos, Milton Rezende Faria, de 54 anos, se tornou consultor do escritório Dannemann Siemsen Advogados, especializado em propriedade industrial e intelectual.

- O escritório formou uma equipe de engenheiros de diversas especialidades, entre elas química, elétrica e mecânica, com idade média de 60 anos, que se tornaram responsáveis pela revisão de pedidos de patentes. A experiência nos possibilitou ter domínio da linguagem técnica e uma visão global do mercado – explica Faria.

A carreira acadêmica também é um caminho para profissionais com experiência. Neste caso, destacam os consultores de RH, vale investir num curso de mestrado.

Boa Chance - O Globo
12/02/06

Topo




Emprego chega na terceira idade

Empresas apostam na experiência de vida e em vagas para atendimento a seus clientes
Tatiana Nascimento
DA EQUIPE DO DIARIO

Maria Marly conseguiu o primeiro emprego quando tinha 57 anos, depois de seleção com 150 candidatas.Juliana Leitão/Especial para o DIARIO.

Maria Marly Carvalho Cascão casou-se cedo, aos 17 anos. Sempre esteve empenhada em administrar a casa e cuidar do marido, Fernando, e dos quatro filhos. Sete anos atrás, tudo mudou. De dona de casa, mãe, esposa e avó em tempo integral, Maria Marly se transformou em trabalhadora com carteira assinada. O primeiro emprego veio aos 57 anos, após disputar uma seleção com outras 150 candidatas. Hoje, aos 64, atua no atendimento aos clientes dos supermercados do Grupo Bompreço e nem pensa em parar.

"Ainda lembro de como estava feliz ao voltar para casa agitando a carteira de trabalho", conta Marly, que trabalha seis horas por dia e recebe total apoio da família. Como ela, são muitos os que decidem correr atrás da realização profissional quando a maioria das pessoas está perto de pendurar as chuteiras. E, apesar de raras, há vagas esperando por elas. Aos poucos, as empresas começam a valorizar a experiência de vida na hora de contratar e se mostram satisfeitas com o retorno.

"Procuramos pessoas com perfil diferenciado para esse atendimento ao cliente e elas têm empatia", diz Catarina Farias, coordenadora do Programa Anfitriãs de Lojas, criado pelo Bompreço em 1996. Ela conta que, quando o Grupo colocou o primeiro anúncio nos jornais, recebeu mais de dois mil currículos. Atualmente, 21 senhoras trabalham em dez lojas nas cidades do Recife, Maceió, São Luis e Aracaju, circulando pelos estabelecimentos e respondendo por telefone dúvidas e queixas dos clientes.

O Grupo Pão de Açúcar, o Bob's e a Pizza Hut também têm programas voltados para os trabalhadores da terceira idade. No Pão de Açúcar existe desde 1997 e conta hoje em dia com mais de 1,2 mil empregados acima dos 60 anos atuando como empacotador, caixa e recepcionista. Já o programa da rede Bob's foi lançado no final do ano passado com a perspectiva de se criar um plano de carreira para esses funcionários, que não têm receio de pegar no batente e experimentam uma elevação na auto-estima.

O incremento da renda familiar também conta. "Tenho o meu salário, assistência médica integral. Isso é importante na nossa idade", destaca Maria Marly Cascão, que começou a vender tortas e doces finos após a queda nos rendimentos com a aposentadoria do marido Fernando, ex-empregado de multinacional e grande incentivador da carreira de Marly. "Depois que vi uma senhora trabalhando como atendente decidi que também poderia ter o meu emprego. Meus filhos e netos me vêem como exemplo", orgulha-se.

A psicóloga Edilza Guimarães, sócia da Dimensão Consultoria, destaca a importância da motivação para garantir a empregabilidade desses trabalhadores. "A pessoa tem que se sentir produtiva e não deve deixar de ter objetivos. Hoje, com o aumento da expectativa de vida, quem tem 60 anos não pode ser considerada velha", diz a consultora.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou de 65 para 75 a idade determinante da velhice. Já em 2002, a ONU aprovou durante a Segunda Assembléia Mundial Sobre Envelhecimento um Plano de Ação Internacional. Entre as propostas incluídas no plano está aque pede que os governos devem se concentrar em envolver os idosos nas tomadas de decisões, criando oportunidades de emprego para os que desejem trabalhar.

Confira os programas especiais oferecidos pelo Bompreço

Portadores de Deficiência


Proporcionar ao Portador de Deficiência uma oportunidade de desenvolver uma relacão profissional, que possibilite ao mesmo aprendizado, integração e reconhecimento da sua capacidade laborativa, gerando ao Bompreço um Associado que contribua de forma produtiva aos negócios e, ao mesmo tempo, reforce o papel social da Organização, através da integracão desta mão-de-obra ao mercado de trabalho, conforme previsto na Nossa Missão.

3ª Idade


Este programa busca humanizar o atendimento e prestar um serviço ainda mais diferenciado ao cliente Bompreço, aproveitando de maneira produtiva a experiência, o respeito, a segurança, a confiabilidade, a empatia e a simpatia dos profissionais que compõem a terceira idade
.

Bompreço – www.bompreco.com.br



Topo



Empresas valorizam cada vez mais a terceira idade

Foi difícil encontrar alguém na Pizza Hut que apostasse no pique daquele pessoal mais velho, que acabava de ser contratado. A rede, afinal, é conhecida pelas oportunidades que oferece aos mais jovens, articularmente àqueles cheios de energia em busca do primeiro emprego. Depois de um ano, a experiência com o pessoal de mais idade surpreendeu, segundo Reynaldo Zani, diretor de comunicação da rede na Grande São Paulo. "A convivência dos muito jovens com os mais velhos deixou o clima leve, descontraído, mais amistoso", diz. "A clientela também aprovou, tanto que acaba voltando e demonstra uma clara preferência pelas pessoas de mais idade".

Dora Tavares, 77, e Zulma Gonçalves, 70, adoram ouvir essa história. Elas integram o Programa Atividade, da Pizza Hut, que emprega 16 funcionários com mais de 60 anos entre os 450 colaboradores da rede - e pretende chegar a 35 até o final de fevereiro. Para Zulma, além da conquista do primeiro emprego com carteira assinada, a inesperada atividade veio com uma descoberta: "Esse negócio de resmunguice, de rabugice, é coisa de velho que fica em casa sem fazer nada". Dora concorda e recomenda uma ocupação produtiva às pessoas de mais idade: "O trabalho melhora a qualidade de vida".

Douglas Pomini, o jovem gerente da loja onde Dora e Zulma trabalham, um daqueles que duvidavam que os mais velhos agüentariam o rojão nos horários de pico, hoje reconsidera: "Elas têm mais gás que muitos de nós". Embora seja impossível mensurar os resultados na produção com a chegada desses funcionários, Zani garante que o saldo é muito positivo. "Em loja de comida rápida, onde as pessoas estão sempre com pressa e o estresse paira no ar, o pessoal de mais idade aparece com uma abordagem que descontrai o ambiente e reforça o afeto".

Apostar no pessoal mais velho como linha de frente na geração de renda de uma comunidade inteira foi a opção da Bosch, em Curitiba. A princípio isolada, a iniciativa acabou envolvendo grande parte das quase 500 empresas da cidade industrial da capital do Paraná. Entre os cerca de 15 mil habitantes de Vila Verde, comunidade carente encravada no centro das indústrias, 85% estão entre 50 e 70 anos. "Todos muito produtivos", segundo Mário Massagardi, diretor da Bosch, que acompanha de perto a evolução da CooperCostura, cooperativa que desenvolve produtos de grande aceitação entre as empresas da região.

A oficina produz jalecos e pequenas embalagens que garantem uma renda mínima às mulheres cooperadas. A infra-estrutura da cooperativa, assistência administrativa, financeira e contábil são garantidas pelos voluntários da Bosch. A grande arrancada, marcada pela compra das máquinas, aconteceu em 2001, com uma doação da Bosch alemã, de R$ 30 mil. Com a organização da produção as costureiras chegam hoje a uma renda de cerca de R$ 150. Mas os ventos estão começando a alterar os rumos para os lados de Vila Verde.

Uma recente parceria com o Senac, que oferece capacitação para as cooperadas, além da administração garantida pela Fundação das Entidades Assistenciais de Campinas (Feac), deu um caráter mais profissional à organização. "As empresas da localidade também passaram a cooperar", diz Massagardi. "Estão fazendo suas encomendas de jalecos e embalagens diretamente à cooperativa".

Embora os idosos ainda estejam distantes da preferência das empresas quando elegem seus projetos sociais, essa população vem crescendo e se impondo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 14,5 milhões, cerca de 8,6% da população brasileira, conforme o Censo 2000. Em 1991 o pessoal com mais de 60 anos correspondia a 7,3%.

É um contingente poderoso. Segundo o Censo IBGE, 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são arrimo de família. Juntos, somam uma população de 8,9 milhões, dos quais 54,5% garantem o sustento dos filhos e até dos netos. Graças às aposentadorias, esses velhos são responsáveis por mais de 90% do total de rendimento mensal do domicílio, conforme a pesquisa Indicadores Sociais Municipais do IBGE.

Nas pequenas localidades rurais, é comum o dia do pagamento dos aposentados ser o único do mês em que a economia da cidade se movimenta. Depois que a Constituição de 1988 garantiu o acesso à aposentadoria a todos os trabalhadores do campo, as estatísticas da pobreza sofreram alterações. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstra que desde o advento da aposentadoria rural a pobreza entre a população desceu de 45% para 32%. A pesquisa levou em conta a remuneração mensal per capita.

Apesar da falta de atenção dos projetos sociais, a secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Maria Helena Guimarães, revela que os idosos fazem parte do segmento mais contemplado pelas políticas públicas. Em parceria com a prefeitura e a iniciativa privada, São Paulo conta com o Centro-Dia, espécie de creche para pessoas de mais idade; e atendimento domiciliar, para idosos com problemas crônicos de saúde. São nove os Centros-Dia na região metropolitana de São Paulo, que atendem uma média de 35 pessoas por mês e custam R$11.150 aos cofres públicos.

Há também os 188 centros de convivência distribuídos pelo Estado de São Paulo, que recebem cerca de 11 mil idosos por mês. Para os muito pobres e sem família, 228 abrigos no Estado asseguram atendimento especial e cinco refeições diárias. Além disso, o programa Benefício de Privação Continuada garante um salário mínimo mensal até a morte - benefício do qual se valem cerca de 165 mil idosos em São Paulo.

A grande vitrina dos programas de idosos, segundo Maria Helena, é o Condomínio República da Melhor Idade, inaugurado no final de 2003 e que segue o conceito das repúblicas de estudantes. São 66 apartamentos numa construção da CDHU que atende as necessidades das pessoas de mais idade: barras, pisos antiderrapantes, batentes amplos. Cada morador paga R$ 39 por mês. "Até 2006, o governo pretende entregar mais cinco condomínios iguais", diz Maria Helena.

Enquanto as grandes cidades procuram garantir programas em larga escala, os municípios menores podem fazer um trabalho mais personalizado. Timóteo (MG), onde a Acesita se instalou há 60 anos, entre os 75 mil habitantes há 12 mil aposentados - a maioria ex-funcionários da Acesita. Desse contingente cinco mil são membros da Associação dos Aposentados de Timóteo, onde a empresa atua com suporte financeiro e administrativo.

"A empresa não doa recursos, mas ajuda a promover o desenvolvimento da instituição", diz Anfilófio Salles, presidente da Fundação Acesita. Entre as ações desenvolvidas pela associação, que inclui lazer e promoção de eventos, há seminários de saúde - comprovadamente responsáveis pela melhoria da qualidade de vida de 85% dos membros, que inclusive reduziram o consumo de medicamentos, segundo pesquisa da associação.

O grande orgulho da Acesita é o Instituto do Inox, organização social que há seis anos treina o pessoal para trabalhar e confeccionar utilitários com aço. Entre os alunos 70% são aposentados e responsáveis diretos pelo aumento das fábricas de objetos de aço: de uma única em 1999, hoje já são 32 que geram cerca de 400 empregos diretos. Essa disposição para uma nova atividade, segundo Salles, se deve ao programa da Acesita de preparação para a aposentadoria.

"O programa expõe a nova realidade que as pessoas vão enfrentar a partir da aposentadoria, mas mostra também que é possível começar uma nova vida", explica Salles. A possibilidade de reinventar a carreira, contudo, não fica apenas no discurso ou nas palestras do pessoal que tem alguma história de sucesso para contar. A Fundação Acesita oferece um suporte para quem quiser montar o próprio negócio depois da aposentadoria. Esse suporte é a Agência de Desenvolvimento de Timóteo (ADT) que, além da Acesita tem parceiros como o Sebrae e a prefeitura de Timóteo.

"A ADT fomenta a criação de pequenos negócios", afirma Salles. "Aposentado que quiser trabalhar por conta própria recebe todas as orientações necessárias, recebe incentivo fiscal, financeiro e até conta com a doação de terreno para instalar a fábrica ou a oficina".

A garimpagem de uma nova função remunerada, ou que pelo menos resulte em benefícios financeiros, nem sempre é objetivo de todos que chegam à aposentadoria. Desengavetar um sonho antigo, dedicação a um projeto social, cantar, utilizar o tempo para escrever prosa ou poesia também são formas de manter uma atividade produtiva. "Cora Coralina começou a publicar seus escritos aos 70 anos", diz, entusiasmado, Araken Vaz Galvão, 69, um dos vencedores do concurso Talentos da Maturidade, patrocinado pelo Banco Real.

Se Cora Coralina servir como parâmetro, Galvão acredita estar próximo o dia de ver seus contos editados. "Tenho cinco livros prontos", diz. De Valença (BA), onde mora, Galvão sobrevive com a aposentadoria de capitão do Exército e sonha com a possibilidade de ser descoberto por alguma editora. Tal como Galvão, Marlete de Carvalho também levou o prêmio Talentos da Maturidade na categoria música vocal.

O segredo, segundo os consultores que orientam empresas a encaminhar a aposentadoria de seus funcionários, é não se acomodar e empreender. As saídas podem ser buscar clientes em lugar de procurar emprego; prestar serviço em lugar de esperar pedidos. Foi exatamente o que fez Paulina Lerner: levou sua experiência como professora de marketing para o departamento de voluntárias do Hospital Albert Einstein. A primeira experiência foi no Banco de Sangue, onde ajudava no esforço de convencer doadores a doar espontaneamente - ainda era o tempo em que doações de sangue eram remuneradas.

Aos 71, Paulina continua no Einstein, agora como vice-presidente do departamento de voluntárias. "É um trabalho fantástico, porque sempre aprendo mais do que dou", diz. O tempo em que está no cargo permite a ela acompanhar o trabalho das voluntárias na favela de Paraisópolis, no entorno do hospital, em São Paulo. "O trabalho da equipe das voluntárias provocou uma mudança comportamental nas crianças, nas mães e em todas as pessoas da favela", afirma. "É um trabalho de fôlego, constante e prazeroso. Não tem remuneração, mas nada paga assistir a melhoria da qualidade de vida das pessoas".

(Valor – 24/02/05)

Pizza Hut – www.pizzahut.com.br
Acesita – www.acesita.com.br
Bosch – www.bosch.com.br

Topo


Programa Atividade ganha apoio da Prefeitura
Março/2004

Projeto privado de geração de empregos para idosos recebe
apoio da Secretaria de Assistência Social de São Paulo.

O Programa Atividade da Pizza Hut, que gera oportunidades de trabalho para pessoas com mais de 60 anos de idade com o objetivo de reintegrá-las ao convívio social, ganhou o apoio da Secretaria de Assistência Social (SAS) do município de São Paulo. O projeto já abriu quinze vagas para idosos nos restaurantes da Pizza Hut na Grande São Paulo e tem como meta gerar mais 15 postos de trabalho para maiores de 60 anos até o final de março.

A proposta da Pizza Hut é destinar até 50% das 30 vagas iniciais do Programa Atividade para idosos atendidos pelas Supervisões de Assistência Social localizadas nas 31 sub-prefeituras do município. “Essa parceria demonstra a preocupação da Prefeitura de São Paulo e da Pizza Hut em resgatar a auto-estima e gerar postos de trabalho para os idosos em São Paulo. O programa Atividade soma-se aos 90 serviços oferecidos pelo poder público municipal a cerca de sete mil idosos da cidade de São Paulo“, afirma Aldaíza Sposati, secretária municipal de Assistência Social.

Para a Pizza Hut, a parceria com a Secretaria de Assistência Social complementa a intenção da empresa de transformar o Atividade em um programa-modelo, que pode contar com o apoio de outras empresas e serve de exemplo para a iniciativa privada. “O apoio da SAS dá autenticidade ao Programa e gera oportunidades para os idosos que são assistidos pela Prefeitura e que realmente necessitam muito de uma nova oportunidade”, afirma Reynaldo Zani, diretor de comunicação da Pizza Hut em São Paulo.

Assistência odontológica

A parceria da Pizza Hut com a SAS também marca o lançamento de um novo serviço que o Programa Atividade oferecerá à sociedade. Em parceria com o Coife Odonto, uma das maiores empresas de planos odontológicos do País, o Atividade disponibilizará consultórios móveis que vão oferecer orientação e tratamento odontológico preventivo gratuito a idosos usuários da Rede de Proteção Social ao Idoso, da Secretaria de Assistência Social.

A cada semana, o consultório móvel estará em um dos 96 distritos da cidade para atender os idosos. “Esse é um exemplo de que outras empresas podem participar do Atividade e fazer o programa crescer e oferecer cada vez mais serviços sociais para os idosos”, afirma Zani.

O Programa Atividade

O Programa Atividade foi lançado pela Pizza Hut, com apoio do craque do São Paulo e da seleção brasileira Luis Fabiano, e tem como objetivo proporcionar a oportunidade de pessoas idosas continuarem ativas profissional e socialmente.

Os participantes do programa trabalham em jornada móvel de 4 a 8 horas diárias, no horário mais conveniente para cada um, em uma das 16 unidades da Pizza Hut na Grande São Paulo. A Pizza Hut oferece remuneração acima da média do mercado, cesta-básica, convênios médico e odontológico, seguro de vida e alimentação no local. Os contratos de trabalho seguem o padrão adotado pela empresa, de acordo com a legislação trabalhista brasileira. Até março deste ano o número de contratados do Atividade deve chegar a 30. No entanto, não foi estipulado um número mínimo ou máximo de participantes para o programa.

O programa Atividade surgiu de uma convergência entre as idéias do departamento de recursos humanos da Pizza Hut e do jogador Luis Fabiano. A Pizza Hut já pretendia lançar um projeto de RH relacionado à terceira idade. Luis Fabiano, por sua vez, tinha a intenção de defender uma causa relacionada aos idosos para homenagear o avô, o Sr. Benedito Clemente, que o criou e foi o maior incentivador da sua carreira.

Informações:
Márcia Martins
imprensa.pizzahut@inpresspni.com.br
Fone: (11) 3030 1528
Fax: (11) 3034-4858


No Programa Atividade, voltado para quem tem mais de 65 anos, têm mais chances os candidatos que morarem próximo a unidades da rede. Inscrições até 5 de outubro em www.pizzahutsp.com.br

Topo


Trabalho para a melhor idade

Por Ricardo Almeida Prado Xavier

A jovial rede de lanchonetes Bob’s virou notícia recentemente ao anunciar sua disposição de dar empregos a cinqüentões e cinqüentonas dentro de um programa denominado Bob’s Melhoridade. As oportunidades oferecidas no Rio de Janeiro e em São Paulo tem por idéia da diretoria da Bob’s empregar pessoas com mais de 40 anos para os cargos de caixa e profissional de serviço. Esse anfitrião, profissional de serviço, é aquela pessoa que faz o primeiro atendimento ao cliente, ainda na fila para comprar o lanche, tirando dúvidas e anotando pedidos.

O programa começou no Rio de Janeiro há um ano e agora está sendo testado em duas lojas de São Paulo. Na primeira fase foram inscritas 1.500 pessoas com idade da ordem de 50 anos, para enfrentar jornadas de seis horas de trabalho e dispostas a intenso convívio com jovens, categoria predominante tanto entre consumidores quanto entre os funcionários de cada lanchonete. Além de atender os mais velhos, há anos o programa de empregos da empresa também oferece oportunidade a estudantes que queiram entrar no mercado de trabalho. E, mais que isso, também reserva algumas vagas para deficientes físicos.

A ação da Bob’s sinaliza a preocupação da empresa com o que genericamente se chama de responsabilidade social e cobre o principal espectro da área trabalhista que começa com o primeiro emprego e vai até a oportunidade de trabalho para a terceira idade e para os deficientes. Vale ressaltar que está aumentando o número de empresários com essa preocupação, embora eles ainda sejam numericamente poucos. É natural que as empresas busquem trabalhadores experientes e com certa maturidade etária, sem a natural "irresponsabilidade" jovial, nem o cansaço inerente ao peso dos anos. Considere-se, porém, que o mundo está mudando rapidamente.

A título de exemplo, é importante lembrar que recentes estudos sobre o envelhecimento mundial feitos pelo Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos e pela Watson Wyatt Worldwide mostram que ao longo da história os idosos – pessoas com 65 anos ou mais – nunca representaram mais do que 2% ou 3% da população. Há tempos essa proporção começou a subir e, no mundo desenvolvido de hoje, representa quase 15%. Para 2030, acredita-se que essa proporção se aproximará de 25%, podendo chegar a 30% , principalmente em alguns países da Europa, com altas taxas de envelhecimento precoce. O Brasil não está livre do fenômeno e já se projeta para 2030 uma participação de 20% de idosos no total da população. Hoje esse índice já é de 8%, ou seja, em torno de 13milhões de pessoas.

Assim, ao mostrar preocupação com a terceira idade e sua empregabilidade, a Bob’s dá clara demonstração de estar ditando tendências, fato característico de empresas vencedoras.

Bob´s – www.bobs.com.br

Topo




 

Tricô e Dama são coisas do passado

Vovôs e vovós entram na era da informática

Deborah Moratori

23/07/03

Dia 26 de julho é Dia da vovó e do vovô! Se você está pensando em comprar um chinelinho, é melhor mudar de idéia...

Engana-se quem pensa que programa para a terceira idade é hidroginástica e dança de salão. Cada vez mais interessados em estarem atualizados, idosos e idosas procuram programas específicos para o público e provam que a melhor arma contra o preconceito e a solidão é o conhecimento.

Artesanato, atividades físicas e interpretação teatral são apenas alguns dos cursos oferecidos à terceira idade da cidade que conta com dois projetos na área. O Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento da Universidade Federal de Juiz de Fora desenvolve trabalhos junto à população idosa desde 1991 e a Prefeitura de Juiz de Fora, através da Associação Municipal de Apoio Comunitário, mantém o Pró-Idoso.

Terapia digital

Nesses dois programas são oferecidas, entre diversas oficinas, oportunidades para os idosos entrarem em contato com a informática. Windows, Word, internet, Print Artist e Power Point são as opções do curso da UFJF. A secretária do Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento, Ana Rosa Aleixo diz que o curso existe há três anos e que a procura sempre foi grande. "São pessoas que estão interessadas em se informar, mas se sentem inibidas em turmas com alunos mais jovens", explica.

"É uma terapia ocupacional", afirma o aposentado Sinzenando Mattos Xavier. Há cinco anos no projeto da universidade, ele aprova a iniciativa e conta que já participou de três cursos de informática. "As aulas são muito boas, o professor, um espetáculo", elogia. "Eu procurei o curso para preencher meu tempo e também para saber mais", explica, contando que costuma navegar pela web e que troca e-mails com amigos. O assunto? "Conversa 'fiada' para distrair", responde.

O Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento está com inscrições abertas para novos cursos de informática. As aulas têm início no dia 5 de agosto. Quem se interessar pode se inscrever até a primeira semana do próximo mês. São 11 alunos por turma, um aluno por terminal, e há vários horários para as turmas de segunda e quarta-feira e terça e quinta-feira. Podem se matricular alunos com idade superior a 45 anos. A matrícula tem o valor de R$ 45 e a mensalidade custa R$ 30. O pólo funciona na Rua Severino Meireles, 260. Mais informações podem ser obtidas através do telefone 3216-3697.

Remédio virtual

Basta que alguém ensine as inovações tecnológicas aos idosos para que eles percebam que o computador é um forte aliado contra o tédio e a estagnação. A Amac, em parceria com a Prodemge, disponibiliza computadores para os idosos que participam do Programa Internet Sênior acessarem a internet.

A assistente social da Amac, Magda Cristina Ferreira de Oliveira, explica que não são oferecidos cursos de informática. "Nós temos monitores que acompanham os idosos e dão alguma orientação". Há dois anos com essa experiência, Magda explica que os idosos que freqüentam o Pró-Idoso demonstram bastante interesse pela atividade.

"Antes de terem um contato, eles se mostram receosos em relação à tecnologia. Mas depois que descobrem que têm capacidade para lidar com o mundo digital, ficam até com a auto-estima elevada".

A monitora Alessandra Tereza Cerutti (foto), conta que os usuários iniciantes aprendem algumas noções básicas sobre o computador e navegação. "A gente tem que usar uma didática bem especial. Temos que ter paciência e muita calma. Quase todos que chegam ao programa não têm nenhuma noção sobre informática, mas eles aprendem com muita facilidade", elogia.

A monitora explica que a procura pelo serviço é bem grande. Sites de piadas e de jogos são os mais acessados. Mas, de acordo com ela, a maioria dos usuários usa a internet para trocar e-mails com amigos e familiares distantes.

De carteirinha

Internauta assumido, Pedro da Silva, teve contato o primeiro contato com os computadores por acaso. "Eu estava jogando sinuca ali, quando me chamaram para tirar uma foto. Aí a professora perguntou se eu gostaria de aprender. Sem querer dizer não, respondi que sim e pensei 'eu fico aqui hoje e amanhã não volto mais'", conta.

Desde então, o aposentado que faz parte do Programa Internet Sênior do Pró-Idoso diz que não fica um dia sequer sem entrar na Internet. "Minha esposa até briga comigo e pergunta se todo o dia eu tenho que vir. Antes eu nem pensava em mexer, nem chegava perto".

Questionado sobre os sites de que mais gosta, ele responde: "Cada dia eu faço uma coisa, para não repetir sempre a mesma coisa". Os endereços interessantes e o e-mail das monitoras que o ensinaram a lidar com os computadores ficam anotados num caderno. Sr. Pedro conta que uma das vantagens de saber usar a internet é poder ajudar os outros. "Dá para cadastrar o CPF para quem não sabe", exemplifica.

Sem trabalhar desde 1984 e tendo parado de estudar aos 14 anos, ele fala que aprender e conhecer coisas novas serve como incentivo. "Às vezes derrapa alguma coisa, mas aqui eu estou sempre aprendendo. Voltei a ler e a escrever de novo".

Companheiro de viagem

O início é mais ou menos o mesmo para todos. Medo e receio, sensação de que nunca vai aprender... Depois de alguns clicks, "a gente já consegue firmar o mouse". Saulo Aguiar da Silva gosta de acessar sites de jornais na internet. "Eu também entro em páginas de materiais eletro-eletrônicos e que têm receitas culinárias", fala.

O aposentado, que possui computador em casa, usa as máquinas do Programa Internet Sênior para navegar na Web, "em casa eu não tenho internet", explica. Ele conheceu o mundo digital em fevereiro deste ano e, desde então, não largou mais a net. "Eu também uso o e-mail para me comunicar com a minha filha que estuda no Rio de Janeiro. Daqueles sites de conversa eu não gosto", conta, citando os chats.

Receoso, o aposentado também não divulga seus dados em cadastros e não faz compra pela internet. Com um relatório de sites interessantes na mão, Sr. Saulo elogia o programa. "É uma atividade para o cérebro não ficar parado. Esclarece a mente da gente", conclui.

Pode participar do programa quem tem mais de 60 anos. O tempo máximo de permanência no terminal é de 40 minutos. O Centro de Convivência do Idoso Dona Itália Franco onde o programa funciona fica na Rua Espírito Santo, 434. Mais informações, pelo telefone, 3690-7365.

Prodemge – www.prodemge.gov.br

Topo